terça-feira, 31 de março de 2020

Estado de emergência, dia 12

Desde que o país entrou em estado de emergência, este será provavelmente o dia em que mais vivi de acordo com esse estado. Na verdade, tendo em conta que um dia de trabalho normal meu costumava ser, na maioria dos casos, ir de casa para o trabalho e do trabalho para casa, este dia só variou em relação a esses dias pelo menor movimento no caminho.


Um merceeiro que nem em estado de emergência e com a loja fechada tem medo de ter os legumes na rua.


Obras que vão (finalmente) avançando alguma coisa em estado de emergência.


Coisas do distanciamento social: ter espaço livre para estar abrigado na paragem em pleno dia de chuva mas ficar do lado de fora. Mas isso foi apenas até, perante a estranheza por o autocarro não aparecer, ter consultado o horário do autocarro no website e ter ficado a saber que fizeram ajustamentos e que não iria ter autocarro para voltar. E lá fui eu de carro.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Estado de emergência, dia 11

Mais um dia de estado de emergência, mais um dia para dar uma pequena ajuda (a que posso dar) à economia). E depois, também há que questionar em relação à saúde da população sobre os possíveis malefícios físicos e mentais e se passar dias inteiros dentro de casa. No entanto, não descarto a toma de cuidados perante a situação, nomeadamente o distanciamento social.
No dia anterior notei que os autocarros da Rodoviária de Lisboa também estavam a fazer as pessoas entrarem pela porta de trás e a não deixar validar o bilhete. Consultei o website deles e pude confirmar que não estavam de todo a cobrar, e então decidi aproveitar para fazer algo que posso nunca mais ter oportunidade de fazer na vida: andar na RL de borla. Chegado a Lisboa, já sabia que com a Carris é a mesma situação, e o meio de transporte urbano que me faltava era o electrico.


Uma consequência ecológica negativa do estado de emergência (entre outras positivas).


Confirma-se. A RL não está mesmo a cobrar títulos de transporte.




Chegada à Gare do Oriente.


Mais um supermercado, mais uma fila. Nada ainda em comparação com o que vi na Venezuela.


Há quarentenas e quarentenas.



A Avenida Infante D. Henrique pela Estação de Santa Apolónia.


Campo de Santa Clara, mesmo por baixo do Panteão Nacional.



O Campo de Santa Clara pelo local onde se costumava realizar a Feira da Ladra.




















Por Alfama.






Coisas que se conseguem descobrir quando não há quase pessoas pela rua.


A Rua da Madalena.


O electrico, o meio de transporte público urbano que me faltava experimentar com esta borla.













Desde o Cais do Sodré até Alcântara.


Coisa que muito dificilmente seria permitida se não fosse o coronavirus.


Eles andam aí, mas não sei a fazer o quê. Segundo relato de uma passageira do autocarro do qual me encontrava esperar, houve uma situação em que pessoas estariam a cuspir de propósito para outras pessoas, e eles não fizeram nada.



O coronavirus tens muitas coisas más. Na verdade, o vírus em si tem tudo de mau. Mas pode haver algumas coisas positivas (neste caso, não levem a sério o que escrevo): para além das coisas negativas que conhecemos, há também o facto de o distanciamento social fazer as pessoas terem que ir a pé no autocarro quando há lugares ainda disponíveis (mas com pessoas mesmo ao lado); pela positiva, o facto de assim que se arranja lugar se poder colocar a mochila mesmo ao lado sem esperar que ninguém venha a reclamar o lugar.